Wellness ganha protagonismo no encerramento do Eventos em Off

Fotos: Patricia Penna

Programação final colocou o participante no centro das decisões e mostrou como wellness, tecnologia e liberdade de escolha podem redesenhar experiências corporativas

O Eventos em Off encerrou neste domingo (23), no Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes (SP), uma edição dedicada a discutir transformações no mercado de eventos e os caminhos para tornar encontros corporativos mais relevantes para quem participa deles.

Na programação de encerramento, o wellness foi levado para o centro do debate com a palestra “Wellness para quem?”, que reuniu Marcos Gurgel, da Global Crew; Paula Baldini, da Ação 360; e Camila Novo, CEO da GCSM.

A discussão partiu de uma questão que ganha espaço entre organizadores e empresas: quando um evento é planejado para promover bem-estar, as necessidades reais dos participantes estão, de fato, sendo consideradas?

A resposta apresentada pelos palestrantes passa por uma mudança de perspectiva. Em vez de tratar o público como receptor de uma programação previamente determinada, os eventos podem oferecer possibilidades de escolha, permitindo que cada participante construa parte da própria experiência de acordo com seus interesses, momento e objetivos.

Isso significa que uma mesma agenda pode contemplar quem deseja participar de uma atividade, quem prefere estabelecer contatos profissionais, quem precisa de um período de descanso ou simplesmente quem quer explorar o espaço onde o encontro acontece.

Menos rigidez, mais possibilidades

A discussão também colocou em xeque a ideia de que uma programação cheia representa necessariamente um evento mais completo.

Uma agenda excessivamente rígida pode reduzir justamente aquilo que encontros presenciais têm de mais valioso: o tempo para conversas que não estavam previstas, encontros espontâneos e relações que surgem fora das salas de reunião.

Nesse modelo, o planejamento continua sendo necessário, mas passa a coexistir com espaços de liberdade.

Uma caminhada, uma atividade compartilhada ou uma conversa informal podem gerar tanto valor quanto uma sessão previamente programada. Para o mercado corporativo, essa mudança é relevante porque amplia o entendimento sobre o que pode ser considerado resultado de um evento.

Participante deixa de ser espectador

Outro ponto abordado durante a palestra foi a necessidade de colocar o participante no centro da construção da experiência.

O wellness, nesse contexto, não aparece como um benefício adicional ou como uma atividade isolada dentro da programação. Ele passa a fazer parte da própria concepção do encontro.

Depois de uma rotina marcada por metas, reuniões, cobranças e entregas, um evento corporativo também pode representar uma oportunidade de pausa e valorização das pessoas.

Essa proposta pode assumir diferentes formas: uma atividade ao ar livre, exercício físico, massagem, conteúdo inspirador, uma refeição compartilhada ou simplesmente tempo livre.

No Club Med Lake Paradise, a estrutura do complexo contribuiu para essa abordagem ao permitir que os participantes circulassem por diferentes ambientes e incorporassem momentos de lazer e bem-estar à programação.

Tecnologia deve aproximar, não substituir

A tecnologia também entrou na discussão, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e das ferramentas capazes de analisar dados sobre comportamento e interesses dos participantes.

Esses recursos podem ajudar os organizadores a identificar preferências, personalizar experiências e até aproximar pessoas com interesses profissionais semelhantes.

Mas existe um limite importante: a tecnologia deve ampliar a capacidade de conexão do evento, e não substituir a conexão humana.

Essa distinção ganha peso justamente porque um dos principais atributos dos eventos presenciais continua sendo a possibilidade de encontro. Dados podem indicar afinidades, mas são as conversas que transformam essas afinidades em relações.

Da discussão para a prática

O encerramento do Eventos em Off levou essa reflexão para fora do palco.

Caminhada no Club Med Lake Paradise, encerrou as atividade do Eventos em OFF 2026 – Foto: Patricia Penna

Depois da palestra, os participantes foram convidados a realizar uma caminhada pelo complexo do Club Med Lake Paradise, transformando o tema discutido em uma experiência prática de convivência e movimento.

A escolha também reforçou uma compreensão mais ampla sobre wellness. Cuidar do participante não significa apenas oferecer atividades relacionadas à saúde física. Significa criar um ambiente no qual ele tenha espaço para escolher, descansar, circular, conversar e participar da maneira que fizer sentido naquele momento.

O encerramento sintetizou, assim, uma transformação que começa a ganhar espaço na indústria de eventos: o sucesso de um encontro não depende apenas da qualidade do conteúdo ou da grandiosidade da produção, mas também da capacidade de compreender quem está do outro lado da programação.

Para um setor que busca novas formas de gerar engajamento e resultados, essa mudança coloca as pessoas novamente no centro da estratégia.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

O debate do Eventos em Off aponta para uma mudança na lógica dos eventos corporativos. Durante muito tempo, eficiência esteve associada a agendas cheias, concentração de conteúdo e controle de cada etapa da programação. Agora, ganha força a percepção de que tempo livre, escolhas individuais e encontros não programados também podem gerar valor.

Essa mudança interessa especialmente às empresas que utilizam eventos como ferramentas de relacionamento, incentivo, treinamento e negócios. Uma programação menos sobrecarregada pode favorecer a participação, melhorar a assimilação dos conteúdos e criar condições para interações que dificilmente surgiriam em uma agenda rigidamente estruturada.

A tecnologia tende a ampliar essas possibilidades. Inteligência artificial e análise de dados podem ajudar a identificar interesses, personalizar experiências e aproximar participantes com afinidades profissionais. Mas sua função é potencializar a interação, não substituir aquilo que dá sentido ao encontro presencial.

O movimento mais relevante, portanto, não está simplesmente em acrescentar wellness ou tecnologia à programação. Está em reformular o evento a partir das necessidades de quem participa. Para o Turismo&Eventos, essa é uma das mudanças que devem ganhar espaço no mercado: menos controle sobre cada minuto e mais atenção à qualidade do tempo, das relações e das experiências construídas ao longo do encontro.

Essa versão fica mais limpa porque cada parágrafo acrescenta uma camada nova: primeiro a mudança de modelo, depois o impacto para as empresas, em seguida a tecnologia e, por fim, a interpretação editorial.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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